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Sobrevive-se

Sobrevive-se

19
Abr21

Haverá mercado.

Costa

Ainda não é, então, suficiente, a carga futebolística imposta sobre as nossas vidas: jogos praticamente todos os dias da semana e praticamente todos dias da semana gerando, por cada noventa minutos de jogo e em edificantes demonstrações de cultura e urbanidade, horas e horas de "antevisões", "rescaldos", "análises de incidências" e outras importantíssimas actividades como por exemplo o minucioso acompanhamento "do mercado", o submisso e incessante panegírico das "estrelas", do "melhor do mundo", dos "heróis" (heróis de quê; em nome de que superior valor colocaram e colocam, necessariamente de forma desinteressada, as suas vidas seriamente em risco ao andar aos pontapés na bola?), suas mansões, aviões, barcos, carros, locais de férias, crimes fiscais e outras manifestações de exemplar cidadania. E, naturalmente, as nádegas ou outros salivantes pormenores da anatomia das suas namoradas.


Venha lá então mais do mesmo. Haverá mercado.

08
Abr21

Amanhã se verá.

Costa

As caixas de comentários dos jornais (as poucas a que usualmente acedo, em todo o caso) não são em regra locais recomendáveis. Excepto, e antes mesmo de se considerar a substância do que lá se escreve, se se pretender ter uma ideia actualizada da decadência da alfabetização do soberano ou do seu nível de educação. E não confundo "educação" com "instrução".

Isso assente, acontece uma ou outra vez valer a pena lá ir. Um comentário de hoje num jornal diário tido como de referência (já sobre ele pude ler de "reverência") e, com a excepção de um ou outro colunista que por lá consegue ainda escrever, insuspeito de questionar verdadeiramente a actuação do poder de turno, levou-me a parte de uma carta de Antero de Quental, escrita em 1890. Recorre-se frequentemente aos escritos de Eça de Queiroz, por norma e como imediata referência, quando se pretende demonstrar como se prolongam no tempo os males da pátria, e quão actual é ainda o que, pelos anos de Oitocentos, e de forma superior, sobre eles se escrevia. Mas mais do que a um homem, será de facto ao génio de uma geração que essa actualidade se mantém. A esse génio, é certo. Mas sobretudo, temo, à perene incapacidade deste país ser um local recomendável.

"Portugal é um país eunuco, que só vive duma vida inferior, para a vileza dos interesses materiais e para a intriga cobarde, que é o processo desses interesses.", escreve Antero nessa carta. Carta que vale por isso e bem mais. 

Veremos então se amanhã isso - uma vez mais - se confirma.

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