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Sobrevive-se

Sobrevive-se

28
Mar22

Um reaccionário sem redenção.

Costa

Passa pouco das dez da noite e, num consagrado "canal de notícias", uma jovem e um jovem peroram convictamente sob a moderação de uma terceira jovem. É fácil qualificá-los aos três como "jovens": por estes dias é-se "jovem", oficialmente, até cada vez mais tarde. Ora politicamente, ideologicamente, estou muito mais perto do jovem comentador do que da jovem comentadora; ambos decerto tidos como líderes de opinião, ou não teriam, creio, aquele hebdomadário ofício à sua espera.

Isto assente, vejo-os aos dois - esses líderes de opinião - a palestrarem o seu sermão aos seus convertidos e, enquanto "o plano abre", vejo-os de sapatos de ténis ("sapatilhas" ou que lhes quiserem chamar) e calças de ganga ("jeans", chama-se-lhes). "Ténis" e "jeans", envergados por líderes de opinião, enquanto tal e vertendo doutos, lapidares e tremendíssimos sermões sobre o país, o mundo e as magnas questões que nos coloca o futuro. Falando potencialmente para milhões (embora creia eu que os milhões na verdade se interessavam, nessa hora, por outro tipo de oferta televisiva), calçando sapatos de ténis e vestindo "jeans" ("pre-washed", acho que se lhes chamam; às calças, claro).

Muito bem: nada tenho a ver com eles. As minhas noções de "gravitas", de dignidade, de estadismo - real ou potencial, como poder que se é ou poder que se pode e quer vir a ser - nada têm a ver com as noções deles. Serei então um reaccionário sem redenção. Seja. Mas muito útil, afinal: uns foram ou são donos disto tudo; eu paguei, pago e pagarei isto tudo, saqueado reiterada e impunemente que sou pelo fisco. Para que estes jovens, que duvido saibam o que seja isso de pagar e pagar, tudo, sempre e muito caro, brilhem. À direita e à esquerda.

24
Mar22

Isso que se chama "googlar"

Costa

O regime que está, tomado de uma peculiar necessidade de se celebrar antecipada, generosa e longamente (e lá saberá porquê), iniciou ontem as comemorações do seu cinquentenário, recorrendo ao pretexto de uma soma francamente discutível, se tomada como tendo de facto sido atingida ontem, na sua exactidão. Isto para não lhe chamar pura e simplesmente uma aldrabice, lembre-se o PREC, servida por uma elite de desavergonhados a uma legião de ignorantes. 

Ontem, também, foi revelada a composição do novo governo da nação, premiando naturalmente caninas lealdades ao seu líder. E foi revelada, essa composição, sem especial respeito - se algum - pela hierarquia do Estado: o poder executivo (indigitado) decidiu, comunicou às massas a decisão e o presidente da República (em funções) soube da coisa pela comunicação social. Como as massas, afinal. Ou seja, os donos do regime não perdem a oportunidade de tornar claro que o são.

O novo governo integrará então, porque fiéis servidores do seu Chefe, um sob cuja presidência foram indevidamente passados à federação russa dados pessoais potencialmente muito comprometedores para quem por cá agia manifestando a liberdade que a democracia consagra (e ontem alegadamente celebradas, convirá recordar) e outro que de comissário político (ainda que oficialmente "executivo"), das tais comemorações ontem iniciadas, passa a ministro da cultura e que, entre outras pérolas, afirma não ser o 25 de Novembro data a comemorar.

Estamos pois, e com a reforçada legitimação de uma recente vitória eleitoral por maioria absoluta, em pleno "viver habitualmente". Sobre isso de viver habitualmente, do PREC e do 25 de Novembro, os mais novos, querendo, que façam isso que agora se chama "googlar".

 

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