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Sobrevive-se

Sobrevive-se

28
Mai22

Ócio e iniquidade.

Costa

Musica Aeterna, ao início; agora, A Força das Coisas. Mais logo, Argonauta. Tardes e serões de ócio, de leitura, com isto em fundo. Algum politicamente correcto, no segundo caso; habitualmente algum tributo ao poder de turno, longo turno, e às causa ditas "fracturantes" e que seria perfeitamente dispensável. Mas, hoje, belíssima conversa com Fernando Venâncio. Constatando o óbvio: chamem-lhe "brasileiro" ao que lá se fala - e está muito bem que o seja e tanto melhor que o entendamos (nós; já o inverso...) - e afirme-se a iniquidade do AO90.

Terei saudades.

17
Mai22

Da humana superioridade.

Costa

Leio num jornal "online" que um ucraniano terá caminhado centenas de quilómetros, em busca de alguma segurança, acompanhado da sua cadela. O animal terá ferimentos resultantes do longo esforço e de ter passado por áreas onde abundantes destroços de guerra lhe terão provocado lesões nas patas. O dono (deixemo-nos por favor dessas idiotices, fundamentalmente de inútil ociosidade, que pretendem impor o "tutor"), manifestando imensa ternura e grande preocupação pela saúde da cadela, terá solicitado apoio financeiro para os cuidados veterinários que se revelam necessários. Parece que o apelo - "crowdfunding", chama-se-lhe por estes dias - terá sido bem sucedido.

E logo pude ler, em comentário de um leitor desse jornal, a inevitável e indignada referência às crianças que morrem de fome em África (e, já agora, não é só lá) enquanto alguém tem a intolerável ousadia de se preocupar com o sofrimento de um animal dito irracional. Como se a dignidade e a protecção da espécie humana tivesse que ser defendida em oposição - e por exclusão - ao bem-estar de todos os restantes animais. Como se fosse inaceitável, um crime insuportável, que enquanto houver um humano com fome, sem abrigo, sem cuidados de saúde, se preocupe alguém com a condição dos restantes animais. Como se estes fossem culpados da loucura humana e das suas consequências. A loucura do Homem, esse ser alegadamente racional e que parece ver nessa racionalidade todos os direitos e nenhum dever.

Coisa muito em voga nestes tempos em que tanto se critica quem, em idade fértil, acolhe e protege animais e não tem filhos. Talvez fosse, na verdade, preferível cuidar de saber das razões de, nestes tempos, não ter (de não poder ter, de racionalmente entender não ter) filhos. É que nem sempre é por uma eternizada, estúpida, imaturidade que rejeita responsabilidades e tem da vida uma visão mais e mais hedonista (que existe, de facto, e cresce).

Essa, aliás, nem para os animais é boa. 

11
Mai22

Rodas de alcatruzes

Costa

"Passados, porém, quatro anos, esta coisa cíclica que se chama (talvez abusivamente) República, e que é semelhante às rodas dos alcatruzes, cria em nós a impressão de que estamos voltados quatro anos atrás."

(Henrique Barrilaro Ruas, Set. 1983)

08
Mai22

Optimismo

Costa

Regressar a Vasco Pulido Valente é um imperativo de sanidade. Mais ainda quando feito com a paz desencatada de quem está do lado dos derrotados: o lado certo, afinal. «Depois do fracasso da "modernização" democrática, virão 20 anos de vacas magras e de cinismo ou desespero», escreveu em Fevereiro de 2014. Ainda não se sonhava com Covid ou invasão da Ucrânia e já era, no que nos respeita, verdade. Já lá vão oito anos; teremos então garantidamente mais doze. 

Pelo menos. E é de temer (coisa, é certo, menos provável em VPV) que haja aí optimismo.

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