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Sobrevive-se

Sobrevive-se

12
Nov23

Os políticos

Costa

Os políticos não vivem no mesmo lugar em que nós vivemos, com as mesmas regras e os mesmos fins. O que nós achamos falso ou irracional, eles acham verdadeiro e lógico; o que nós achamos imoral ou indigno, eles acham com certeza conveniente e necessário; o que nós chamamos princípios ou moral (detestável palavra), eles consideram pretensão, irrealismo ou comédia. (Às Avessas, Vasco Pulido Valente, 1990; texto original de 1984)

O livrito (porque breve) foi, por um acaso, salvo do lixo, no "desmanchar" de uma casa cujo herdeiros pouca - se alguma - preocupação manifestavam pela biblioteca que se perdia. O fragmento acima é parte de um texto de 1984, incluído nessa colectânea que se começou a ler por estes dias. Antes, em todo o caso, dessa espécie de novo momento alto da longa ópera bufa - trágica, sobretudo - que a venal e nepotista ética republicana e socialista nos vem oferecendo impenitentemente. E tem, na sua extraordinária limpidez e precisão - sem uma palavra a mais, sem um dispensável adorno de desnecessária erudição -, tanto a ver com tudo isso e com certas declarações ontem solenemente vertidas às ignaras (e por isso mesmo) massas. 

Muita falta faz o Grande Ausente.

08
Nov23

A crise política e suas graves preocupações.

Costa

Nada de novo: nos sucessivos, imparáveis, torrenciais debates e comentários que nos são servidos pelas estações de televisão (no caso, SIC Notícias e CNN Portugal; a coisa não variará muito, decerto, no tempo que as restantes, generalistas, nacionais, dediquem ao noticiário), desde algures pela manhã de ontem, a grande preocupação - logo seguida pela sorte dos fundos do PRR (se vão ser aplicados, melhor, derretidos, ou não, porque sendo-o já se sabe que o serão pela insaciável coisa pública e sob critérios especialmente peculiares) - de boa parte dos preocupadíssimos comentadores, especialistas e politólogos é o efeito disto tudo sobre a proposta do orçamento do estado no que concerne às promessas a seu propósito feitas ao funcionalismo público e aos pensionistas.

Ou seja, as promessas de aumentos do costume aos destinatários do costume, para sossegar os do costume. Os que, a todo o custo, não convém irritar. Os que decidem eleições, ganhas por quem cai nas suas boas graças. Ou pelo menos no seu resignado apoio. O resto - os outros, os que vão pagando isso tudo, isto tudo - pouco interessa. Pode esperar e nada ter.

E, claro, como e quando se entender necessário, pagar mais.

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