Já basta sustentá-los.
Em entrevista de hoje, figura presumivelmente destacada do PAN (cabeça de lista dessa agremiação às próximas eleições europeias) afirma que “existe o direito ao protesto. Não faz sentido medidas desproporcionais para os ativistas climáticos. Sentam-se na estrada e são arrastados”.
Isto a propósito dos crimes - pois que disso potencial e substantivamente se trata, mesmo que não integrando de forma imediata o catálogo dos ditos em direito penal - perpetrados pelo que por aí se chama reverentemente de "activistas climáticos". As criaturas, que nas palavras desta sumidade do PAN sofrem de "ecoansiedade", exercem então, muito legítima e naturalmente perturbadas, um mero direito. E isso de cortar a circulação de ruas, avenidas, acessos, o que seja, até está muito bem.
Ou seja, provocar - na verdade, agravar o que já o é - o caos no trânsito, entre outras práticas cívicas a que se dedicam abnegadamente esses ansiosos (ansioses, decerto) acabando, aliás, por com isso aumentar a emissão de poluentes e o consumo de petróleo, impedir, potencialmente pelo menos, o cumprimento de compromissos importantes por parte de cidadãos obedientes e pagadores de impostos, causando-lhes com isso danos relevantes, ou até levar à morte ou causar lesões agravadas por impedimento do atempado acesso a cuidado médico, não é mais do que um legítimo ventilar de uma ansiedade. E é assim desproporcionado arrastar - tremenda sevícia! - essas criaturas encharcadas de egoísmo, e embrutecidas por ensinamentos de desobediência objectiva e metodicamente ministrados por organizações subsidiadas pelo orçamento do estado.
Da densa cabeça do cabeça de lista foram então também derramadas para nossa ilustração outras "ideias" de questionável lucidez (seguramente um conceito fascizante e que se impõe cancelar) e que não se vê possam ter outra proveniência que não a massa encefálica de quem não vive na realidade do cidadão-comum - cidadão que atura, subsidiando-as generosamente e à força, tão iluminadas figuras e seus ensinamentos.
Sobre as criaturas que se entretêm a bloquear ilegalmente - pois que o fizeram ilegalmente - ruas (isso e práticas afins) torna-se difícil não encontrar afinal, e independentemente da sua exequibilidade, alguma legitimidade nas intenções recentemente atribuídas ao sr. ministro da defesa, e relembrar certos desabafos comuns há uns anos e que passavam por estadias formativas em Mafra ou Lamego: mas não para formar militares ou incutir valores de elementar civilidade, como parece ter estado, de forma certa ou errada, na mente do sr. ministro (coisa, desde logo, que no caso, e atentos os eventuais destinatários, parece absolutamente votada ao fracasso); antes para punir. De forma pura e dura.
Sobre o cabeça de lista e o seu partido, resta o consolo de saber que não é preciso militar ou votar naquilo para realista e conscientemente respeitar as pessoas, os animais e a Natureza. Já basta sustentá-lo(s).
