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Sobrevive-se

Sobrevive-se

06
Dez22

Da bola, por estes dias.

Costa

Não fui tocado pela Graça do futebol, o que faz de mim aos olhos de muita, e muito certa, gente um ser mais proscrito do que um um leproso. Vivo bem com isso e ainda que tal me custasse a companhia de muitos que me são queridos (a companhia não custou, ainda; algum desconforto e perene arrefecimento das relações, já), não creio que venha a mudar a minha convicção de que a interdição do futebol, a inversão do ónus da prova quanto aos dinheiros nele envolvidos e a actuação de dirigentes e governantes em seu torno (dirigentes, governantes e não só; e nada de rasgar as vestes, pois o fisco já o faz há muito quanto a todos nós, anónimos cidadãos nunca suficientemente saqueados), a demolição generalizada dos estádios com a obrigatoriedade da conversão dos seus terrenos em jardins ou outros espaços de verdadeira utilidade pública (e, definitivamente, não em urbanizações, ou bombas de gasolina), seriam medidas de verdadeira regeneração social. Moral, pelo menos.

Depois, uns anos depois, talvez fosse de permitir a gradual reintrodução da prática da modalidade desportiva - nada contra ela e, sim, mil vezes uns putos ao pontapé na bola em lugar de a fumar ou injectar o que se sabe - mas estritamente num plano amadorístico.

Isto posto e não sendo felizmente nem cego, nem surdo, nem anacoreta não me é possível alhear deste sinistro e venal circo, impune e acima da lei, instrumento precioso de um geral e mal disfarçado propósito de embrutecimento massivo das gentes (o ópio - a pretexto disso do "ópio do povo" -, perante a bola, é um rebuçado que talvez cause a ocasional cárie; mas rebuçados até já os há sem açúcar).

Julgo por isso não estar completamente enganado se disser que hoje se descobriu que, afinal, a selecção portuguesa do pontapé na bola (veja-se que usualmente se lhe chama a "selecção nacional", sendo até perfeitamente dispensável dizer de quê) não é composta por um só profissional da coisa; que será, ou foi, tão bom na matéria como o é a exibir - com bem pouco bom senso e pudor - o dinheiro que ganha e, parece, será a "castrar" profissionalmente todos os colegas à sua volta. Que hoje se descobriu e isso e que alguém, hoje também, teve o bom senso de fazer ministrar uma lição de humildade.

O que raras vezes é desadequado.

 

 

 

 

 

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